06/06/2006 19:46
REPETIÇÃO
lisieux
Concordo com o poeta do Alegrete, como sempre. Meu poeta favorito...
Se a gente não pudesse sonhar, estaríamos perdidos!
E quanto mais olho as estrelas, brilhando no céu de quase primavera, aqui em BH, mais perto estou das estrelas que brilham no céu do RS. As mesmas que o meu poeta contemplava... as mesmas que contemplam os meus vários amigos da Internet, nas várias regiões deste nosso imenso Brasil e do exterior.
Sonhar com estrelas, ou com o que elas significam. Poético, mas triste! Aliás, triste como tristes todos os poetas, ou como todo grande amor.
Coisas inatingíveis, pessoas inalcansáveis, sentimentos indecifráveis, “incorrespondíveis” (palavra fresquinha, acabada de ser inventada por mim) mas, nem por isto menos reais, menos desejáveis! Pra falar a verdade, quanto mais inalcançáveis parecem as coisas e pessoas, mais as desejamos. Como a raposa, “babando” pelas uvas da fábula.
Acho que cada ser humano é um pouco masoquista. Sabe que sofrerá por desejar o que não pode alcançar, ainda assim, fica alimentando o desejo, guardando a lembrança do objeto do seu querer, sonhando com ele diuturnamente... mesmo que isto cause, a cada dia, mais e mais tristeza e sofrimento.
Gente ainda mais difícil de entender são os poetas, que podem fazer com que o sofrimento que consome e mata pareça bonito, que podem fazer com que a dor se torne companheira tolerável e que a saudade seja até mesmo bem-vinda!
Infelizmente, os poetas têm também o “dom” de se tornarem amargos. E, às vezes, ficam repetindo monotonamente o mesmo “refrão”. Assim, acabam fazendo com o que leitor o abandone, partindo em busca de novas emoções.
Mas, pensando bem, não adianta muito o leitor “debandar”, trocar de poeta, buscar novas formas, pois as “novas emoções” buscadas em novos poetas, jamais serão de fato novidades, porque o sentimento que as trarão à tona, sempre será o mesmo: O AMOR. Amor que é a mola-mestra que impulsiona a alma dos poetas de todas as idades, de todas as “escolas”, de todas as gerações.
É isto. Repetindo... repetindo-me. Repetindo-me-te-repetindo-repetindo-o-refrão. Sempre repetindo. Porque não existe nada de novo debaixo do sol (Ec 1.9). É tudo repetição, recriação.
E o amor, é sempre o mesmo amor.

enviada por lisieux






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